quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Enquanto isso, na UECE...


E um dia, olhando de novo pela brecha, vi passando aquelas sombras.
Pessoas felizes, se movendo dentro de um grande caleidoscópio

...e vi as cores, e vi o brilho em seus sorrisos.

Não! Não vi, pois eram somente sombras... Mas um dia elas estiveram lá. Quando existia luz.


Olhando aqui de dentro do futuro, nada foi em vão.

Prezo pela importância daquele “tempo bom”, em que as músicas soavam alto aos ouvidos e vozes desafinadas a acompanhavam sem medo e sem compostura.





Porque tudo era mágico: os pés, as luzes, os lugares, as comidas, as frases, as bebidas, o colorido dos muros e o “velho rock n’ roll”.




As mãos unidas eram estrelas e o céu era baixo.


Mas quem disse que ainda não é assim?



Aqui nessa brecha, por dentro do futuro, ainda sinto o calor intenso dos abraços, e o peso bom das palavras de alívio, muitas vezes inocentes do bem que causam.





Também, ainda sinto as lágrimas interrompidas, mesmo que por um sorriso momentâneo.





Mas o que hoje me incomoda é a nostálgica falta de um tempo em que o cansaço não consumia,


...que as dores eram reais, e o caminho parecia chegar a algum lugar.


Hoje, o que me incomoda é o “não sentir” e o “não saber”.


Não me importo em seguir exausta, tombando, caindo, me segurando onde pode, onde aguenta e onde não consegue me agüenta.


Mas o que me deixa assim, com essa fraqueza esparsa, é saber que tenho que sempre me levantar, que sempre me sustentar, que sempre me manter caminhando...
Mas para onde?


Sinto que estou presa por nós que eu posso desatar, mas tenho medo, sinto muito medo. Não sei o que esses nós podem estar segurando, sinto medo de cair em um abismo profundo. E cair infinitamente, sem nunca encontrar um chão. E eu não sei se agüento mais cair, se ainda tenho esse tempo e essa resistência.



As coisas boas não anulam as coisas ruins, mas pelo menos aliviam as dores que pesam sob meu corpo.


Por isso vou sempre guardar essas imagens, e essas sensações, e esses prazeres, e esses devaneios bons, e esse cheiros, e esses sons, e tudo o que já foi, e tudo que é, e tudo que vai ser um dia...



3 comentários:

  1. "Também,ainda sinto as lágrimas interrompidas, mesmo que por um sorriso momentâneo"

    -Eu sei que há muita força viva ainda...somente.

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  2. Fico me perguntando se sou só eu que tenho que selecionar o texto pra conseguir ler...

    Ser daltônico é paia ó... =/


    Mas o POST tá emocionante!

    Tá melhorando Lana! Eu até entendi acredita.... :P

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  3. oia aí! é que ta ficando mais esperto.. pegando as manhas.. rsrs

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Frida Kahlo

Frida Kahlo
O Abraço Amoroso entre o Universo, a Terra (México), Eu, o Diego e o Señor Xólotl

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Cidade da Luz, Ceara, Brazil
Pela brecha, eu vejo as cores vivas que circulam em linha reta pelo mundo a fora. Sinto que não sou de lá. Mas, mesmo assim, eu me comprimo e saio. Vou através da brecha, me ornamentando de cores e brilhos para não ser vista. Não quero ser vista! Mas, mesmo assim, simulo, me dilato e vou até lá.