segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Tomar um banho de chuva.




Eu tava triste
Tristinho!
Mais sem graça
Que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só
Sozinho!
Mais solitário
Que um paulistano
Que um canastrão
Na hora que cai o pano
Tava mais bôbo
Que banda de rock
Que um palhaço
Do circo Vostok...
(Zeca Baleiro, Telegrama)


E quando caiu a chuva, tudo ficou mais limpo.
Nada aconteceu. Os vidros continuaram embaçados, o quarto continuou vazio, o relógio permaneceu girando traiçoeiro e o vento sempre levando as esperanças e trazendo as desilusões.
Mas o momento foi diferente. E aqueles sentimentos puramente humanos de repente se dissolveram, desgrudou da minha pele e saiu deslizando por meu corpo, por debaixo das minhas roupas, até ser embebido pela areia.
Ouvi o som...
Me fez abrir os braços, olhar pro céu, e de repente, tudo em volta desapareceu pra mim.
Tava ali, só, esperando a água lavar
E levar embora o fingimento junto com as ondas do mar
E depois disso, a noite não foi mais a mesma, foi muito melhor.

Um comentário:

  1. "A água: espelho rachado,
    salpica pingos que...
    são PEDRAS,
    (preciosas),
    que são VIDROS,
    (são aço!)/são água..."

    (P.Nava)

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O Abraço Amoroso entre o Universo, a Terra (México), Eu, o Diego e o Señor Xólotl

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Cidade da Luz, Ceara, Brazil
Pela brecha, eu vejo as cores vivas que circulam em linha reta pelo mundo a fora. Sinto que não sou de lá. Mas, mesmo assim, eu me comprimo e saio. Vou através da brecha, me ornamentando de cores e brilhos para não ser vista. Não quero ser vista! Mas, mesmo assim, simulo, me dilato e vou até lá.