Sou um barquinho de papel
Navegando na raiva que sinto
Perdido, jogado ao léu
Sozinho em meio ao infinito
Fazendo a própria tempestade
Clamando por calmaria
Temendo a própria vontade
Ancorado na ventura do que foi um dia.
Esperando sem presente
Por um futuro improvável
Pensando louco, demente
Evitando o inevitável
Para de pensar agora
E vive o que tu tens
Se tua alma te devora
Não chora que não te convém
Sente o cheiro salgado do mar
Como as lágrimas que expele em soluços
Afoga essa ansiedade que quer te matar
Joga fora a bussola e inventa teu curso.
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